A Sociedade Rural Brasileira (SRB) marcou presença no VIII Congresso Nacional de Direito Agrário, realizado entre os dias 25 e 27 de agosto, em Ribeirão Preto (SP). A diretora executiva da entidade, Patrícia Arantes de Paiva Medeiros, participou do painel “Indústria de Máquinas e Insumos Agrícolas: inovação e segurança jurídica”, ao lado de Ralph Sticca, Marcelo Lucietto, Amanda Lima, Isabella Katz Migliori e Fábio Mesquita Ribeiro.
Durante a apresentação, Patrícia destacou os desafios do mercado de máquinas agrícolas, diante da retração nas vendas, do custo do financiamento e do avanço da concorrência chinesa. As vendas internas de máquinas agrícolas no atacado caíram de 70.262 unidades, em 2022, para 55.298 em 2025, uma redução de 21%. No Moderfrota, foram R$ 3,48 bilhões contratados entre julho de 2025 e fevereiro de 2026, ante R$ 9,5 bilhões programados, queda de 61% em relação ao mesmo período do ciclo anterior.
O cenário ganha complexidade diante de uma Selic de 14% ao ano e das taxas de 12,50% do Moderfrota Empresarial e 11,50% do Moderfrota Pronamp, considerando que o prazo de financiamento é de até sete anos, enquanto a vida útil e o retorno do bem estão estimados entre sete e dez anos.
Em paralelo, a concorrência com a China aparece como um dos principais desafios para o mercado brasileiro de máquinas agrícolas. Entre janeiro e junho de 2026, os chineses responderam por 67,1% das unidades de tratores importadas pelo Brasil, contra 29,7% da Índia e 1,2% dos Estados Unidos.
Já pelo lado dos insumos, o problema também passa pelo custeio. O Brasil tem 88% de dependência externa de fertilizantes e importou 43,3 milhões de toneladas em 2025, enquanto foram entregues 49,1 milhões de toneladas ao mercado. Em março, os fertilizantes representavam 46,7% do custeio da soja em Mato Grosso na safra 2026/27. O cenário foi agravado pelo conflito iniciado no Irã em fevereiro, já que pelo Estreito de Ormuz passa cerca de metade da oferta marítima mundial de enxofre e uma parcela relevante da ureia comercializada.
Diante do cenário apresentado, três encaminhamentos foram apresentados: previsibilidade plurianual da equalização, para dar maior segurança ao planejamento dos investimentos; estabilidade do perímetro de credenciamento, evitando mudanças que aumentem a insegurança para fabricantes e produtores; e uma agenda de acesso técnico, voltada à discussão e ao aprimoramento das condições de acesso ao crédito e às tecnologias.
O conselheiro da SRB, Wander Neto, também integrou a programação do evento, como palestrante no painel “Proteína animal: atualidades e discussões jurídicas”, ao lado de Roberto Ghigino, Alexandre Valente Selistrem Olímpia Souza de Paula Carvalho e Antonia Scalzilli.
O congresso reuniu especialistas para discutir temas relevantes para o agronegócio, como regularização fundiária, sucessão, governança e litígios patrimoniais, comércio internacional, questões agroambientais e seus impactos nas cadeias produtivas, crédito rural, tributação e relações trabalhistas.
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