Notícias

Com analistas, SRB debate as perspectivas para safra de café

O Departamento do Café da Sociedade Rural Brasileira (SRB) realizou uma reunião híbrida no dia 23 de junho, com a presença dos analistas de mercado Albert Scalla, da Stone X e Eduardo Carvalhaes, do Escritório Carvalhaes, além de lideranças do setor.

O foco do encontro foram as previsões e perspectivas para a safra de café, em meio à volatilidade dos preços. Participaram representantes da SRB, incluindo o presidente Sérgio Bortolozzo, além do presidente do CNC (Conselho Nacional do Café), Silas Brasileiro.

Albert Scala, vice-presidente sênior da Stone X Financial, abordou os riscos climáticos e macroeconômicos que vêm provocando extrema volatilidade no mercado do café.  A preocupação central, segundo ele, é a transição climática, com a chegada do El Niño, que pode afetar a florada no Brasil (entre agosto e outubro) e a florada no Vietnã (em março e abril).

Ele recomendou aos produtores monitorar a intensidade do El Niño. Se o fenômeno se fortalecer, a recomendação é segurar as vendas. Se enfraquecer, é o momento de acelerar a comercialização.

Eduardo Carvalhaes, exportador com mais de 40 anos de experiência no setor, trouxe uma visão focada no mercado físico e no comportamento do produtor brasileiro, destacando a incerteza extrema e a escassez de estoques como os pilares do momento atual.

Na visão dele, há muito menos café disponível nas mãos dos produtores do que o mercado imagina, o que explica a resistência em vender nos preços atuais.

Carvalhaes entende que, devido às incertezas econômicas (inflação, guerras, eleições), o produtor brasileiro passou a considerar o café como o melhor lugar para deixar seu dinheiro. O cafeicultor tem vendido apenas o necessário para fazer caixa para despesas imediatas, como fertilizantes, diesel e folha de pagamento, evitando se desfazer de grandes lotes por insegurança quanto ao futuro, ele avalia.

Silas Brasileiro, presidente do CNC, estimou a safra de café em 70 milhões de sacas, um número que ele considera ideal e baseado em levantamentos de campo realizados por elementos que acompanham a cultura permanentemente.

Outro convidado especial no encontro foi José Braz Matiello, da Fundação Procafe. Ele criticou as metodologias atuais de estimativa de safra, considerando que muitas são subjetivas e baseadas em opiniões.

Defendeu que a produtividade deve ser medida diretamente no campo, pois a aparência vegetativa (visto por imagens aéreas, por exemplo) pode enganar: “um pé de café bonito e muito verde pode estar pouco produtivo”, disse

Matiello lembrou que nos últimos dois ou três anos foram plantados mais de 400 mil hectares de lavouras novas, utilizando alta tecnologia, o que pode incorporar entre 10 a 12 milhões de sacas ao potencial produtivo brasileiro no futuro.

Compartilhar: