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A “Geopolítica dos Fertilizantes” é destaque em debate promovido pela SRB

A Sociedade Rural Brasileira (SRB) iniciou uma série especial de encontros para discutir temas estratégicos que impactam diretamente a competitividade e a segurança do agronegócio. O primeiro deles foi realizado de forma híbrida no dia 15 de junho, com o tema “A Geopolítica dos Fertilizantes”. O painelista convidado foi Alberto Pfeifer, engenheiro agrônomo e coordenador do grupo de análise de estratégia internacional em defesa, segurança e inteligência da USP.

Pfeifer, que também é Senior Policy Fellow de Geopolítica, Estratégia e Segurança Internacional do Insper Agro Global, falou sobre a necessidade de superar as vulnerabilidades externas que ameaçam o País. Ele argumentou que, embora o Brasil seja uma potência tecnológica na agricultura tropical, enfrenta desafios por depender excessivamente de insumos importados.

O especialista defendeu que o agro não seja visto apenas como uma força da economia, mas sim como um ativo estratégico para o País e como um dos pilares da segurança nacional.

Quanto aos fertilizantes, lembrou que 85% do NPK (Nitrogênio, Fósforo e Potássio) utilizado no Brasil vêm de importação. Na visão dele, o Brasil é refém da geografia tanto pela distância dos fornecedores (Rússia, Bielorrússia, China, Canadá) quanto pelos gargalos logísticos em estreitos internacionais sensíveis, como Ormuz.

Para enfrentar esse cenário adverso que foi descrito, a proposta de Pfeifer é que o “agro 2.0” inclua uma espécie de “diplomacia dos fertilizantes”, com mais ações de inteligência e de defesa. A ideia seria que o Brasil buscasse controlar pelo menos 1/3 do seu suprimento de fertilizantes de forma soberana ou regional (via parcerias com vizinhos como Bolívia ou Argentina). Além disso, podem ser aliados os investimentos em inovação e bioinsumos, que reduzem a dependência dos químicos.

“A Embrapa é um projeto geopolítico, é um projeto de capacidade por meio da competência tecnológica, da inovação, da ciência, do capital humano de altíssima qualidade. É isso que faz o diferencial competitivo na história da humanidade. E nós conseguimos fazer isso”, ressaltou.

Participaram do encontro o presidente da SRB Sérgio Bortolozzo, o vice-presidente Marcelo Schun, além de outros diretores e conselheiros da entidade.

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