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Com Embrapa e lideranças, SRB analisa novo ciclo de pesquisa e inovação na cafeicultura

O Departamento de Café da Sociedade Rural Brasileira (SRB) realizou um novo encontro no dia 15 de abril com o tema “Novo Ciclo para a Pesquisa e Inovação da Cafeicultura Brasileira”.

A principal apresentação foi feita por Rodolfo Osório de Oliveira, chefe-geral da Embrapa Café, que falou sobre uma reestruturação estratégica que visa transformar a gestão de projetos a fim de obter uma entrega de resultados de alto impacto no centro de pesquisa. A proposta, segundo ele, prioriza a resiliência climática, o aproveitamento de subprodutos e a criação de parcerias público-privadas para superar limitações orçamentárias da Embrapa.

O presidente da SRB, Sérgio Bortolozzo, destacou a “longa tradição de proximidade” entre a entidade e a Embrapa e colocou a Rural à disposição para apoiar neste novo ciclo de pesquisa.

O presidente da Abic (Associação Brasileira da Indústria do Café), Pavel Cardoso, que participava do debate, enfatizou a importância da qualidade, da pesquisa e da agregação de valor como pilares para o futuro do setor. Ele lembrou que, na década de 80, o café no Brasil sofria com altos índices de impureza e fraude (cerca de 30%), o que derrubava o consumo. Graças à autorregulamentação da ABIC e ao Selo de Pureza criado em 1989, a qualidade melhorou e o consumo per capita subiu de 2 kg para mais de 6 kg por habitante/ano.

“Embora o Brasil produza 40% do café mundial, ele participa marginalmente da geração de riqueza global”, disse Cardoso.  Segundo ele, enquanto a cadeia do café nos EUA movimenta US$ 343 bilhões (gerando 155 mil dólares por empregado), o ecossistema brasileiro movimenta cerca de US$ 24 bilhões (gerando menos de 3 mil dólares por empregado).

Sobre a instabilidade orçamentária para a pesquisa do café no País, o chefe-geral da Embrapa explicou que o orçamento para pesquisa é discricionário do Ministério da Agricultura (MAPA), o que significa que não há um “carimbo” específico para o café. “Isso gera uma oscilação prejudicial: em um ano o recurso pode ser de R$ 15 milhões e, no outro, chegar a zero, o que inviabiliza projetos de longo prazo, como o desenvolvimento genético, que exige pelo menos 8 a 10 anos”, admitiu.

Rodolfo de Oliviera revelou ainda que há conversas com o Mapa e parceiros para tentar “carimbar” os recursos, realizando uma avaliação técnico-jurídica que permita vincular especificamente o dinheiro que vai para a pesquisa cafeeira. Uma das alternativas sugeridas na reunião foi a utilização dos rendimentos de recursos de crédito do Funcafé que não são utilizados (cerca de 25% do fundo).

Além dos nomes citados, participaram do debate o economista do Instituto de Economia Agrícola (IEA), Celso Vegro e o pesquisador do IAC, Sérgio Parreiras Pereira, sob a coordenação de Carlos Brando e Marcelo Vieira, responsáveis pelo Departamento do Café na SRB.

A reunião completa está disponível no Canal da SRB no YouTube

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