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Segurança alimentar no mundo pós pandemia

Helen Jacintho 

Fazenda Continental 

 

O debate pós pandemia deverá se voltar para a segurança de toda cadeia de produção mundial de alimentos. Falamos de economia Global, mas a pandemia originada pelo consumo de animais silvestres na China, nos mostrou de maneira dolorosa emocional e financeiramente, que saúde e segurança alimentar também devem ser tratados como temas globais. 

O consumo de animais silvestres é cultural em várias partes do mundo, europeus e norte americanos por exemplo, caçam veados, lebres e pássaros. Já na China, a cultura por consumo de animais exóticos raros era restrita às classes sociais mais elevadas, devido ao seu alto valor; porém após a era Mao, devido a enorme escassez de proteína e fome entre a população, a caça e consumo de animais silvestres acabou tornando-se costume, principalmente no sudoeste.

No final da década de 70, reformas econômicas feitas pelo governo estimularam a produção e venda destes produtos silvestres por pequenos produtores rurais, visando regularizar e aumentar a produção de proteína para a população. De acordo com o Japan Times, estima-se que o mercado de animais silvestres tanto para alimentação, quanto para medicina chinesa, movimente 75 bilhões de dólares e empregue 14 milhões de pessoas. O problema é que diferentemente do Brasil, que segue os mais rígidos protocolos de sanidade, os animais silvestres na China eram criados e revendidos de maneira insalubre e desumana. Juntando a isto, temos os “Wet Markets” mercados que misturam num mesmo ambiente, gaiolas de animais vivos, sangue, entranhas e fezes de animais que são abatidos no local; aquilo é o pior dos pesadelos para qualquer engenheiro de alimentos!

Citando a fala da Dra Suzan Murray, veterinária chefe de vida Silvestre no Smithsonian Conservation Biology Institute (SCBI) e diretora do programa SCBI’s Global Health Program, no World Economic Fórum: “Quando forçamos espécies, que de outras maneiras não teriam contato, aumentamos a possibilidade de doenças serem transmitidas”. 

A proibição de comercialização por 5 anos de animais silvestres, nos parece uma solução, mas é apenas um paliativo, é só lembrar da SARS em 2004, quando o mundo achou que os mercados de animais eram coisas do passado. 

Existe uma pressão muito grande sobre a China para o controle sobre a sanidade, de acordo com o jornal New York Times, tem surgido retaliações de muitos países. Austrália e EUA exigiram explicações, Inglaterra e Alemanha estão refletindo sobre o uso de tecnologia chinesa no sistema de telefonia 5G. EUA não só culpam a China pelo contágio, como pedem reparações e tanto os EUA como o Japão já se distânciaram economicamente da China. EUA estão conduzindo sua própria investigação, e juntamente com a União Europeia, levarão o tema a discussão na World Heath Assembly. No meio de tudo isto, a OMS ( Organização Mundial da Saúde) teve sua imparcialidade questionada por alguns, enfim, é um grande embrolio! 

O que é certo é que isto não pode continuar, os países precisam se unir e redefinir regras claras, protocolos de sanidade mundiais porque hoje o mundo é globalizado e fronteiras não seguram vírus. 

Enquanto isto, a produção de alimentos no Brasil segue os mais rígidos protocolos internacionais. As normas definidas pela OMC (Organização Mundial do Comércio) muitas vezes não são suficientes, pois alguns países, principalmente a China, querem criar normas tarifárias e todo tipo de dificuldades; de agora em diante a tendência é que os países se fechem e aumentem ainda mais o protecionismo. 

O setor de produção de alimentos Brasileiro, nosso agronegócio, pode ser um protagonista mundial neste momento, pois o Brazil tem se destacado por produzir, processar e entregar com sanidade, qualidade e quantidade, enquanto mantém o compromisso com a saúde e proteção aos funcionários em toda a cadeia. 

O processo de produção de alimentos tem sido monitorado de forma global, doenças em rebanhos, por exemplo, são monitoradas também globalmente para prevenir que se espalhem através das fronteiras como aconteceu com o COVID-19. Os avanços em agropecuária, nutrição, diagnósticos veterinários e bem estar animal significam que muitas doenças que já foram um problema, hoje são controladas com campanhas de vacinação, como por exemplo a febre aftosa ou com rígidos protocolos sanitários como a salmonela.

A cadeia de produção de alimentos brasileira produz para abastecer o mercado interno e o excedente segue sendo exportado como commodities, equilibrando assim a balança comercial do país. 

Alimentar o mundo durante e após a pandemia é uma prioridade entre as nações. Sigamos firmes nos nossos protocolos e buscando um nível de melhoria constante, para estarmos na vanguarda desta busca por mais sanidade e segurança alimentar. 

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