A Sociedade Rural Brasileira (SRB) avalia como positiva a assinatura do acordo bilateral entre o Mercosul e a União Europeia, prevista para o final desta semana, ao reforçar alianças e trazer melhorias para ambas as partes, apesar de não representar ganhos muito significativos para o agronegócio.
O presidente da SRB, Sérgio Bortolozzo, destaca que o acordo “está maduro e com suas negociações esgotadas, após mais de 25 anos de tratativas entre os blocos”.
A entidade entende que a União Europeia tem plena consciência da competitividade do Brasil no fornecimento de commodities agrícolas, mas também reconhece que o País não concorre de forma relevante com o bloco europeu em produtos agroindustriais de maior valor agregado.
O acordo foi anunciado na última semana, deve ser assinado no próximo sábado (20/1) no Paraguai, mas ainda precisa ser aprovado no Parlamento Europeu.
“Vai ser bom, mesmo que a gente não tenha um interesse comercial tão grande com relação à Europa, porque o foco principal do agro brasileiro hoje é a Ásia, a Oceania, a África e o Oriente Médio”, explicou Bortolozzo.
Embora não provoque impactos expressivos o dia a dia do produtor rural brasileiro, a SRB reforça que a assinatura é importante para inserir o Mercosul em um contexto mais amplo de integração internacional e para destravar, ainda que de forma gradual, novas oportunidades comerciais no longo prazo.
O debate sobre união entre os dois blocos foi dominado, nos últimos meses, por questões internas na Europa, especialmente pela pressão de agricultores europeus e pelo reforço de políticas protecionistas no continente.
Alguns setores do agro, que possuem venda mais significativa para o mercado europeu ou potencial de expansão, serão beneficiados com a redução gradual de tarifas na exportação, porém várias travas foram estabelecidas para evitar danos aos produtores europeus.
Um fator de atenção diz respeito às cotas previstas no acordo, que permanecem restritas para diversos produtos, além da existência de mecanismos de salvaguarda que podem ser acionados caso os volumes exportados ultrapassem determinados limites, reduzindo o potencial de expansão das vendas brasileiras ao bloco europeu.
Ainda assim, a SRB avalia que o acordo é positivo do ponto de vista estratégico e geopolítico. Em um cenário internacional marcado por tensões comerciais e rearranjos de alianças, o entendimento entre Mercosul e União Europeia pode fortalecer relações institucionais, ampliar a previsibilidade das regras comerciais e gerar ganhos para o Brasil.





