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SRB alerta para riscos ao agro diante de tensões geopolíticas


A escalada da guerra no Oriente Médio vem expondo, mais uma vez, os gargalos estruturais do Brasil que precisam ser sanados com políticas consistentes e planejamento.

Primeiro foram os fertilizantes, que expuseram novamente uma das mais graves vulnerabilidades do agronegócio brasileiro. Desde o estopim da guerra na Ucrânia, em fevereiro de 2022, falamos sobre esse tema e, agora, diante de um novo conflito, voltamos ao mesmo ponto, ainda sem grandes soluções no horizonte. Temos apenas o Plano Nacional de Fertilizantes, que até agora permanece como uma promessa de reduzir parte da nossa dependência até 2050.

Agora, nesta semana, as notícias sobre a falta de diesel para a colheita no Rio Grande do Sul ou mesmo sobre o aumento de preços que já ganha escala em diversas regiões do Brasil, revelam mais um problema: a falta de controle das agências reguladoras diante de movimentos especulativos de mercado.

Estamos em uma fase crucial da colheita da safra 2025/2026 e, ao mesmo tempo, trabalhando no plantio da próxima safra. As máquinas estão em campo, o fluxo de colheita e plantio já foi organizado e os custos provisionados. Diante de um cenário de guerra, faz-se necessário um controle rigoroso sobre o funcionamento das refinarias e distribuidoras, para evitar distorções que penalizem ainda mais o produtor rural.

Construímos uma das agriculturas mais modernas e competitivas do mundo. Uma atividade de enorme responsabilidade econômica, que representa parcela relevante do PIB brasileiro. Além de desempenhar um papel social fundamental ao contribuir para alimentar o mundo. Ainda assim, enfrentamos um ambiente extremamente desafiador: crédito caro, endividamento agravado por taxas de juros elevadas, insegurança jurídica e gargalos logísticos que aumentam os custos e reduzem a competitividade do produtor rural e, por consequência, do país.

A Sociedade Rural Brasileira, como entidade representativa do produtor rural, pede atenção do governo neste momento geopolítico crítico. Não podemos mais tratar esses gargalos com complacência. O Brasil precisa transformar diagnósticos antigos em ações concretas.

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