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O protagonismo do agro

Por Gustavo Diniz Junqueira, publicado na edição de fevereiro da revista Agroanalysis
Em nenhum momento da História tantas pessoas tiveram acesso a habitação, educação e saúde como hoje. Em 1800, a população mundial era de 1 bilhão de pessoas — e 800 mil passavam fome. Nesta segunda década do século XXI, a população mundial soma 7 bilhões, mas o número de famintos estacionou em 800 mil. Com o avanço tecnológico e a globalização, o mundo ficou “menor” e melhor. Nos EUA, os preços reais de alimentos correspondem a 15% do que eram cem anos antes.

Se a riqueza está melhor distribuída e quase tudo melhorou, por que ainda há tanta insegurança e insatisfação? Uma resposta possível está na preocupação com o futuro. O medo dos efeitos excludentes da robotização das atividades, ainda predominantemente humanas, e o receio relacionado a uma nova onda de migração trazem ainda mais incertezas para um ambiente já muito complexo e para o qual não estamos preparados.

Mas, o que isso tudo tem a ver com o agro? A humanidade evoluiu com base em sistemas sociais que a troca do nomadismo pela agricultura providenciou. Ao longo do tempo, diminuiu a quantidade de pessoas envolvidas na produção de alimentos, o que permitiu a sofisticação de tecnologias e estruturas de convivência. Como resultado, a cultura rural deixou de ser central, abrindo espaço para o modo de vida urbano. Hoje, menos de 15% dos brasileiros vivem em áreas rurais, percentual que deve ser reduzido à metade até 2030.

Logo, é compreensível que essas novas populações urbanas se preocupem com as condições de vida que terão daqui a três décadas. E há, ainda, as implicações da relação homem-máquina. Estima-se que nos próximos 15 anos, metade dos atuais postos de trabalho desaparecerá. Mas, será que as pessoas estão prontas para se adaptar a um novo cenário? Fica evidente que, para evitar implosão social, transformações profundas serão feitas no modelo capitalista e na democracia.

Essa breve reflexão é importante para enxergarmos o papel que o produtor rural pode — e deve — assumir no futuro. Se o desconforto generalizado é resultado da rápida transformação, o agro está mais bem posicionado para superar esse desafio. O campo não ficará imune a rupturas — liberará mão de obra, sem traumas, já que a tendência é a concentração urbana. Novas tecnologias tornam menos árduo o trabalho físico, aumentam eficiência, reduzem riscos, facilitam planejamento e conectam o homem do interior com o mundo.

Enquanto os preços dos produtos industriais devem ficar cada vez mais baratos e os de acesso a conhecimento e entretenimento tendem a zero, o alimento continua um bem insubstituível. Diante de uma perspectiva de demanda crescente e da possibilidade de se produzir mais e melhor com menos insumos e esforço, o agro retoma seu protagonismo. O uso responsável das riquezas naturais e um engajamento proativo na construção dessa nova sociedade são privilégio e responsabilidade ao mesmo tempo. As novas gerações construirão um referencial novo para uma sociedade que conviverá com desafios enormes e diversos, mas que ainda terá a necessidade de comer todos os dias. O agro será um farol na neblina que envolve nossa caminhada para o futuro.
 
 

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