No Conversa com o Presidente desta semana, Cesario Ramalho da Silva, fala sobre a expectativa para a próxima reunião da Federação das Associações Rurais do Mercosul (FARM), realizada em Assunção do Paraguai, no dia 13 de julho
Da Redação
No Conversa com o Presidente desta semana, Cesario Ramalho da Silva, fala sobre a expectativa para a próxima reunião da Federação das Associações Rurais do Mercosul (FARM), realizada em Assunção do Paraguai, no dia 13 de julho.
O encontro deve debater também o documento de posição que será apresentado aos Ministros da Agricultura na XXIII Reunião do Conselho Agropecuário do Sul (CAS), nos dias 24 e 25 de julho, em Santiago, Chile.
Núcleo da Comunicação da Rural: O senhor acredita que o afastamento do Paraguai do Mercosul será o principal assunto da reunião da FARM?
Cesario Ramalho da Silva: Não, este é um assunto superado. Há um novo governo no país. Aqueles que tomaram a decisão de afastar o Paraguai terão tempo para refletir e quem sabe, rever suas posições.
NCR: O afastamento temporário do Paraguai, muda a situação da FARM?
CRS: Muda, mas crise é sinônimo de oportunidade. É preciso olhar para frente. Enxergar as oportunidades que se abrem com as novas interações e estreitar os laços dos participantes da FARM – Uruguai, Argentina, Bolívia e Chile.
NCR: Notícias recentes dão conta que o Paraguai, afastado, poderá procurar acordos bilaterais. Como o senhor enxerga isso?
CRS: É fato conhecido que alguns países do Mercosul buscam acordos bilaterais (NR: O presidente da Uruguai, Jose Mujica, declarou recentemente à imprensa local que pretendia buscar esse tipo de acordo, sem a participação dos demais países do bloco), o que significa romper um princípio básico do acordo original: os integrantes só negociam em conjunto. Isso mostra que há uma crise política no bloco. A verdade é que essa crise abre oportunidades para mudanças necessárias nos acordos comerciais.
NCR: Do ponto de vista da produção, como o agro brasileiro enxerga a situação político-institucional do Paraguai?
CRS: Não só as entidades do Brasil, mas todas as associações que formam a FARM apoiaram fortemente os agropecuaristas paraguaios e brasileiros que lá estão, na época do surgimento da crise político-institucional, pois entendem a importância da agricultura para o país (80% do PIB paraguaio é formado pelo setor). Temos a preocupação agora em buscar novos canais de comércio para a produção paraguaia.
NCR: Mudando um pouco o rumo da conversa, qual sua opinião sobre parceria Pelé e CNA?
CRS: A parceria com o Pelé é o grande fato recente de fortalecimento da imagem do agronegócio perante a sociedade brasileira em geral. Talvez não haja uma pessoa no país com mais credibilidade do que o Pelé. Sua imagem no mundo reflete o que há de melhor no Brasil e foi isso que a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) buscou. A Sociedade Rural Brasileira está satisfeita com esse novo “reforço.”