Flávio Teles de Menezes, que presidiu a entidade entre 1984 e 1990, é o homenageado do 9º Congresso Brasileiro de Agribusiness, realizado pela ABAG
Da Redação
O 9° Congresso Brasileiro de Agribusiness (CBA), realizado no dia 09 de agosto, homenageou como “Personalidade do Agronegócio 2010” o ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Flávio Teles de Menezes.
Atual membro do Conselho, Menezes atribuiu o prêmio ao trabalho desenvolvido à frente da entidade. “Estou muito honrado e certamente essa homenagem se deve, em grande parte, aos anos em que presidi a Rural. Foi um momento importante para a política e economia brasileira e a Rural esteve presente, sempre ao lado da agricultura”, relembra.
Menezes refere-se à formação da Frente Parlamentar Agropecuária e aos debates realizados na Assembleia Nacional Constituinte, a fim de inserir na Constituição de 1988 salvaguardas essenciais ao setor.
"Foi a defesa da agricultura e de seus marcos regulatórios e não da propriedade somente. A SRB não discutiu a função social da terra, mas sim protegeu a sua função econômica, promoveu a discussão da propriedade produtiva", afirmou Flávio Menezes em entrevista para o livro "SRB 90 ANOS".
# Relembre a trajetória de Flávio Teles de Menezes na Rural:
Sua participação na Rural iniciou-se na gestão de Sálvio de Almeida Prado. Em 1984, foi eleito presidente com a reeleição para o período de 1987 a 1990. Em suas palavras, para a Sociedade Rural Brasileira (SRB), aquele era o momento da transição agrícola, assim como na política e economia do país, com o fim do regime militar e a chegada de redemocratização.
“Iniciada já durante a gestão de Renato Ticoulat, o nosso período foi a concretização desta transição. Período de transformações intensas do país e no mundo, pois nestes mesmo seis anos, tivemos a queda do regime soviético e do Muro do Berlim”, afirma Flávia Menezes.
Naquele momento, a Rural participa dos desafios colocados como a passagem do total controle da economia para a abertura dos mercados, o debate entre produtos de mercado interno e exportação. “A definição era simplista: milho para consumo local e café para o mundo. A SRB tinha que dar racionalidade a estes artificialismos”.
Uma proposta conjunta de entidades do agronegócio: SRB, Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e Organizações das Cooperativas Brasileiras ao governo, já com o ministro Mailson da Nóbrega, propunha mercado livre para exportar e importar uma série de produtos, sem estoques reguladores intrusivos.
Também no mesmo período, a entidade teve que responder a política irresponsável de desabastecimento no decorrer do Plano Cruzado com o confisco do boi e a consequente volta da inflação depois deste período. “A agricultura sempre esteve no epicentro dos problemas das políticas econômicas, porque os planos sempre foram baseados na transferência de renda do nosso setor para a sociedade. Tanto o confisco do café entre as décadas de 30 e 60, quanto os custos de logística e desvalorização cambial, são todas formas de transferir renda”.
Durante sua gestão, a SRB participa efetivamente da Assembleia Nacional Constituinte de 1988, formando a Frente Parlamentar da Agropecuária com mais de parlamentares, e atuação destacada no capítulo de Política Agrícola.
A Rural defende que a função principal da terra é de produzir para abastecer a sociedade, donde a vitória da tese da proteção constitucional à propriedade produtiva (artigo 185, inciso II da Constituição de 1988).
"Foi a defesa da agricultura e de seus marcos regulatórios e não da propriedade somente. A SRB não discutiu a função social da terra, mas sim protegeu a sua função econômica, promoveu a discussão da propriedade produtiva", afirmou Flávio Menezes em entrevista para o livro "SRB 90 ANOS".