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União é a palavra-chave para restabelecer equilíbrio na citricultura
Publicado em 28/06/2010

Em seminário na Sociedade Rural Brasileira (SRB), citricultores, representantes das indústrias exportadoras de suco, autoridades, especialistas de mercado, lideranças, entre outros agentes do setor discutem uma nova política de remuneração para a cadeia produtiva da laranja.

Para o diretor do departamento de citricultura da Rural e organizador do evento, Gastão Crocco, o encontro teve como principal objetivo resgatar a confiança entre produtores e industriais.



por Ronaldo Luiz

A cada nova fusão ou aquisição na citricultura, o relacionamento entre produtor e indústria exportadora de suco, que há tempos está estremecido, fica ainda mais espinhoso. A tendência de concentração no elo industrial aumenta simultaneamente sua força econômica e, ao mesmo tempo, diminui o poder de negociação dos produtores.

Com o objetivo de discutir caminhos para melhorar esta relação, especialmente no que tange à remuneração ao citricultor, a Sociedade Rural Brasileira (SRB) realizou nesta segunda-feira (28) seminário, que reuniu autoridades, especialistas de mercado, lideranças rurais, produtores, indústria, entre outros agentes do setor.

Organizador da iniciativa, o diretor do departamento de citricultura da Rural, Gastão Crocco, destacou que o encontro teve como principal objetivo resgatar a confiança entre produtor e indústria. “Esta foi apenas a primeira reunião que pretendemos fazer.â€

Diálogo e União

Todos os palestrantes assinalaram a necessidade de diálogo e união entre citricultores e indústria como a única forma de harmonizar o relacionamento da cadeia produtiva, como foco na competitividade e sustentabilidade do setor.

O presidente da Orplana, Ismael Perina, discorreu sobre a experiência do Consecana, contrato padrão de formação de preços existente no setor sucroenergético, como um modelo, que pode servir de exemplo para a citricultura.

O contrato por meio do Consecana é caracterizado pela divisão de riscos e receitas entre plantadores de cana e usinas, com base nos custos de produção. Entretanto, é um processo que serve somente como referência para a livre negociação entre as partes.

Por sua vez, a pesquisadora do Cepea/Esalq-USP, Margarete Boteon, pontuou que uma política de remuneração padrão não melhora por si só o preço pago ao produtor, mas tem efeito positivo no ambiente de negócios. “De fato, o que resolve é o mercadoâ€, disse.

Em 2009, de acordo com estatísticas do próprio Cepea, os preços pagos ao produtor caíram 20%, enquanto que os custos de produção subiram 32%, puxados, principalmente, pelas despesas com mão de obra.

Entre outros números, Boteon mencionou também que os preços do suco de laranja em bolsa registram queda desde a década de 70, apresentando apenas alguns eventuais repiques de alta. Relembrou ainda que 80% da laranja produzida no Brasil vai para a indústria de suco e 20% é destinada ao consumo “in naturaâ€.

Para a pesquisadora, os contratos longos – em média de três anos -, que são praxe no segmento, geram discrepâncias, justamente por não preverem variações de mercado, embora assegurem um retorno mínimo, considerado, em muitos casos, um arrocho pelos citricultores.

Desta maneira, ressaltou Boteon, numa mesma safra dois produtores, que entregaram a mesma quantidade de caixas de laranja à indústria, podem receber valores bem diferentes.

No caso de valorização do mercado, o produtor preso a um contrato recebe o que estava estipulado. Por outro lado, o produtor que não mantinha acordo prévio com a indústria pode vender por um preço melhor. Contudo, em caso de desvalorização, obviamente, o raciocínio se inverte.

“É preciso um sistema de remuneração mais flexível e transparenteâ€, afirmou a pesquisadora, que ainda acrescentou: “além do cenário econômico, o problema fitossanitário é outra grande preocupação para o citricultorâ€.

Terceiro a palestrar no seminário, o engenheiro de alimentos, Paulo Celso Biasioli, tratou da perspectiva de um outro tipo de remuneração, em que se paga pelo quilo de sólido solúvel e não pelo peso da caixa.

Em seguida, a diretora do Instituto de Economia Agrícola (IEA), vinculado à Secretaria de Agricultura de São Paulo, Valquíria da Silva, falou sobre os avanços que estão sendo feitos para melhorar a precisão dos levantamentos de safra (área plantada e produção), que passaram a contar com o uso de imagens por satélite.

A diretora do IEA citou ainda recentes acordos entre a Secretaria, a Conab e o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) para melhorar a exatidão das estimativas. “A qualidade da informação passa pelo comprometimento do setor público e privadoâ€, completou.

O deputado Davi Zaia (PPS), presidente da Frente Parlamentar da Citricultura da Assembleia Legislativa de São Paulo, encerrou o seminário, reforçando o recado que é preciso ter interesse legítimo de todos para se costurar um acordo.


# Palestra CEPEA


# Palestra IEA


* Crédito da foto: Renato Ponzio

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