Segundo o diretor do departamento de cana-de-açúcar e álcool da Sociedade Rural Brasileira (SRB), José Sampaio Góes, o excesso de chuvas prejudicou a produtividade das lavouras. A queda na oferta do produto, explica, acarretou no aumento dos preços.
Góes descarta que a alta do etanol tenha relação com os preços recordes do açúcar registrados no mercado internacional.
por Renato Ponzio
Desde julho do ano passado, o etanol registra seis meses de altas consecutivas. Esta supervalorização atingiu o bolso do consumidor. No estado de São Paulo, que concentra mais da metade do consumo do combustível no País, o preço em janeiro chegou a R$ 1,824 por litro, perdendo na relação custo-benefício para a gasolina.
De acordo com o diretor do departamento de cana-de-açúcar e álcool da Sociedade Rural Brasileira (SRB), José Sampaio Góes, o excesso de chuvas prejudicou a produtividade das lavouras. A queda na oferta do produto, explica, acarretou no aumento dos preços.
“O excesso de água no solo diminuiu a concentração de sacarose nas plantas, reduzindo a produtividade. Desta forma, embora tenhamos colhido 35 milhões de toneladas a mais do que 2008, o produto final – seja etanol ou açúcar – foi menor”, detalha Góes.
O diretor da SRB descarta que a alta do etanol tenha relação com os preços recordes do açúcar registrados no mercado internacional. Segundo ele, o recurso oficial destinado à formação de estoques, por exemplo, foi pouco acessado pelos produtores porque os bancos exigiam garantias que os usineiros não tinham.
“O setor ficou descapitalizado, pois foi obrigado a comercializar o etanol abaixo do custo de fabricação para se manter. Durante a safra, na região centro-sul do Estado, o litro do etanol deixava a destilaria custando cerca de R$ 0,50”, lembra.
Para Góes, o governo terá dificuldades em formar o estoque regulador, pois não há produto no mercado. “Esse álcool não existe.”
No curto prazo, o diretor da SRB avalia que a solução é retirar a taxa de importação do etanol dos Estados Unidos, o que facilitaria a entrada do produto no País. “A importação abasteceria o mercado interno e os preços ao consumidor voltariam à normalidade.”