Cesário Ramalho da Silva, que participou da Conferência do Clima, avalia que as decisões políticas e vinculadas a interesses econômicos se sobressaíram ao argumento científico no debate ambiental. "Isso sem contar posições ideológicas."
Segundo ele, a despeito da falta de acordo entre os países, o produtor tem que investir sério em processos de redução de emissões de gases de efeito estufa de sua atividade. Todavia, ressalva, o produtor precisa ser assistido, bem como ser remunerado por serviços ambientais, que presta, usufruídos por toda a sociedade.
por Ronaldo Luiz
O presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Cesário Ramalho da Silva, que participou da Conferência do Clima em Copenhague, avalia que as decisões políticas e vinculadas a interesses econômicos se sobressaíram ao argumento científico no debate ambiental. "Isso sem contar posições ideológicas."
Ramalho conta que os países ricos não querem abrir mão do crescimento em favor de uma matriz energética menos poluente. "Por outro lado, nós [o Brasil] já temos consciência disso e estamos trabalhando neste sentido."
Segundo relata o presidente da SRB, cientistas que contestam a tese de que o aquecimento global foi agravado significativamente por emissões antrópicas – produzidas como resultado da ação humana - são boicotados pela maioria da comunidade científica internacional.
"A Sociedade Rural Brasileira não defende, de forma nenhuma, processos de produção poluentes, mas é favorável ao debate de ideias." Ramalho assinala que a questão ambiental ganhará mais respeito político quando for tratada como oportunidade econômica e não só como risco.
"Para o produtor rural brasileiro, trago o recado que a questão ambiental veio para ficar." É fato, reitera Ramalho, que somos favoráveis a mudanças no Código Florestal - aproximando-o da realidade rural do País, com vistas a conciliar produção e preservação -, mas o produtor tem que agregar o atributo ambiental ao seu negócio.
De acordo com o presidente da SRB, a despeito da falta de acordo entre os países na conferência, o produtor tem que investir sério em processos de redução de emissões de gases de efeito estufa de sua atividade. "Tem que fazer plantio direto, integração lavoura-pecuária-floresta, banir as queimadas e assim por diante."
Todavia, ressalva Ramalho, o produtor precisa ser assistido, bem como ser remunerado por serviços ambientais, que presta, como, por exemplo, cuidados com recursos hídricos e florestas, usufruídos por toda a sociedade.